sábado, 5 de maio de 2012

O Início...


  Ele observava a cidade impassível.
Seus olhos claros já haviam visto muitas eras desde o alvorecer dos tempos, mas nada se comparava ao que estavam para contemplar. O grande Evento, aquilo que fora profetizado por todos os povos ao redor do mundo, não importando raça ou credo.
Ainda tinha esperanças de encontrar sua juventude perdida, pois somente com suas forças restauradas poderia se perpetuar além do acontecimento vindouro. Sem ela não poderia nem mesmo enfrentar o próprio destino.
Mas não havia com o que se preocupar. Ela estava ali. Sua juventude estava naquela cidade. Havia sido trazida para lá a mais de duzentos anos, e lá jazia desde que a o local fora fundado.
O velho sorriu. Como ele, um deus, pudera tão facilmente perde tanto poder? Deveras a culpa fora totalmente dele, pensava. Ele descuidara de sua imortalidade por amor aos humanos.
Vivera longos anos em meio as suas tão amadas criações. Conhecera o amor carnal e através dele gerou uma linda filha.  Filha qual fora capturada nas armadilhas de seu mais terrível inimigo e quedara-se de amor pelo vilão. Além de tomar-lhe a cria o sórdido o exilou de seu reino, pois como poderia ele lutar com um deus tão mais jovem, com os poderes em plenitude?
Balançou a cabeça, como que para espantar os fantasmas do passado. Deveria agora se concentrar em sua missão, nunca estivera tão próximo de seu objetivo. Não poderia abalar suas emoções e por tudo a perder.
Pondo as mãos nos bolsos e erguendo a cabeça o homem respirou fundo. A tempestade estava chegando. O céu estava limpo, sem nuvens e repletos de estrelas, mas logo a tormenta chegaria. Ele sabia, afinal, já fora o pai dos elementos.
De forma calma e displicente o velho observou o chão lá em baixo. O prédio onde se encontrava, o Circolo Italiano, média cerca de 170 metros e do topo a calçada distava 151 metros.  Aquele era o segundo maior prédio da cidade e devia ser alto o suficiente para sua transformação.
No auge de suas forças o deus podia se transforma em segundos, mas agora as coisas estavam mais difíceis, demoradas.
 Era uma madrugada tranqüila e ninguém deveria avistá-lo. Seria terrivelmente tedioso ter de alterar a memória de um humano se fosse visto, mesmo os deuses devem seguir um protocolo, ele não podia chamar atenção.
Recuando o corpo como um leopardo o homem tomou impulso para saltar da beirada do prédio. Com uma agilidade incrível o velho transpôs o parapeito e se precipitou para o abismo.
No meio da queda algo impressionante aconteceu. Uma luz prateada envolveu o homem e dela surgiu uma forma delgada e com longas asas brancas. A transformação estava completa.  Em sua verdadeira forma o deus acreditava que poderia encontrar sua juventude antes do amanhecer...
Afinal, ele era Quetzalcóatl, o poderoso Kukulcán, a eterna Serpente Emplumada.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Projeto 01

Capítulo 1: A transformação.

Itália, Florença – 1792 d.C

As ruas de Florença estavam quase desertas, o silêncio da noite era quebrado apenas pelos passos forte e apressados de um homem.

Ele tinha uma estatura alta, a pele alva chegava a brilhar em contato com a luz da lua, cabelos castanhos escuros bem penteados e olhos tão pretos que não se distinguiam a pupila da íris.

O homem tinha uma boa aparência e mesmo quem não o conhecia poderia perceber a sua aura de nobreza.

De fato o homem era mesmo um nobre. Filho da casa dos Bourbons, ou Borbones, como eram chamados na Espanha, o homem era de uma linhagem de reis. Era fato que se afastara de sua família á anos, mas continuava a ter sangue real, e era por isso que estava fugindo.

Fazia tempo que o homem sabia que a dinastia Bourbon francesa cairia, e que, para livrar-se de possíveis herdeiros ao trono, os revoltosos iriam atrás de qual quer Bourbon ou Borbone. A solução que encontrara fora fugir para a Itália, local onde sua família já não tinha poder, mas ainda possuía enorme prestígio.

A raiva do homem beirava á cólera, renegára sua família e ainda tinha que lidar com as falhas de sua deplorável administração. Se fosse ele teria eliminado todos os que se voltassem contra a realeza, nem que tivesse de fazer isso com as próprias mãos.

“Sim.”, ele pensou, “Essas revoltas são tão violentas, poderia até matar alguns camponeses e ninguém notaria”.

A visão dos gramados verde-esmeralda de Versalhes tingidos de vermelho do sangue de centenas de camponeses agradou tanto ao homem que, esquecendo-se por um momento da raiva, soltou uma gargalhada e gritou para a noite:

- Seria um paraíso!!!

Mas sua alegria logo passou e a raiva voltou transbordando. Ele sabia porquê daquela ira tão acentuada: não se alimentava desde que saíra de casa e isso estava mexendo com seus nervos.

Logo encontrou um local perfeito, parecia até piada. Era uma taberna imunda que parecia ter visto dias melhores. O nome do lugar era “Taverna Del Sole Di Mezzanotte”, taberna sol da meia-noite, isso era totalmente cômico para alguém como ele, um vampiro...
.
“Faz tempo que não vejo o sol”

Este pensamento veio tão rápido que o homem não pode contê-lo. A raiva que veio junto com ele foi terrível. Realmente, ele não ficava nada bem quando estava com fome.

Olhou em volta, procurando por alguma possível vítima e avistou um garoto, este devia ter uns dezesseis anos. Ele gritava do lado de fora da taberna:

- Papà, mamma mi ha detto di farlo, è tardi!
“Pai, mamãe disse-me para buscá-lo, já é tarde.”

De dentro da taberna um velho totalmente bêbado atirou uma garrafa no garoto e bradou a plenos pulmões:
 
- Andate via ragazzo, e lasciare la vecchia vita a prendersi cura di essa!
“Vá embora garoto, e diga á velha que cuide da vida dela!”

As lágrimas encheram os olhos do garoto ele se virou resoluto a ir pra casa. Ao girar deu de cara com o homem. O susto foi grande e ele quis gritar, mas o vampiro tapou sua boca e cravou-lhe os dentes no seu pescoço.

O garoto sentiu suas pernas amolecerem e quis escorregar para o chão, mas as mãos do homem agarram-no pelos braços e o suspendeu.  Então ele perdeu a consciência e mergulhou na escuridão.

***



Apresentação

Hey pessoal!!!

Sejam bem vindos ao blog.

Sou estudante Direito, gosto de criar contos ficcionais e arranho algumas poesias, tenho vários projetos, mas nunca publiquei nada.  Já tentei começar blogs sobre outros assuntos e eles nunca foram adiante, espero que este seja diferente.

Bom, isso é tudo. Espero que gostem e comentem os contos que eu venha a postar. 

Desde já agradeço!